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Marco teológico - Teologia do discipulado e da missão
síntese
feita por Juarez Albino Destro
O teólogo João Batista Libanio, religioso Jesuíta
e sacerdote, professor na FAJE (Faculdades Jesuítas), em Belo
Horizonte (MG), autor de vários livros e artigos, proferiu
palestra no terceiro dia do congresso, sobre a Teologia do discipulado
e da missão
TEOLOGIA DO DISCIPULADO
A teologia do discipulado e da missão nasce da pessoa de Jesus.
A base está em seu gesto de chamar os discípulos. E
ele não chama sem antes tomar consciência de sua própria
missão. Em seu contexto acentua o pólo da misericórdia.
Com os discípulos, começa a anunciar o Reino de seu
Pai e aceita que sua obra continue por outros. Ele propõe duas
condições fundamentais aos discípulos: deixar
tudo e vincular-se à sua pessoa, expressão da mudança
de vida. Trata-se de estabelecer com ele comunhão, participar
de sua vida e destino.
Em nosso contexto, seguimos Jesus de diferentes formas, desde a tentativa
de imitar suas virtudes conforme os escritos, num perigoso fundamentalismo,
ou no sofrer na terra para alcançar a vida eterna, ou ainda
na opção pelos pobres, modelo de seguimento que ainda
motiva seguidores, mas está em crise. A Conferência de
Aparecida articula o seguimento de Jesus com a dimensão missionária.
Parte do encontro do cristão com Jesus, fonte de vida para
a humanidade. Desse encontro surge a conversão, nasce a vida
de Jesus Cristo no cristão e segue-se a alegria de ser cristão.
Daí brota o ser missionário do evangelho do Reino da
vida para os povos de nosso continente, animado no Espírito
Santo. Mas não basta o encontro com Jesus. Requer-se formação,
cujos lugares principais são a família, a paróquia,
as pequenas comunidades, os movimentos eclesiais e as novas comunidades,
os seminários e casas de formação, os centros
de educação...
TEOLOGIA DA MISSÃO
Outrora vigorava o modelo de Igreja como sociedade perfeita, una,
santa, católica, apostólica, romana. A salvação
individual apenas ocorria em seu seio. Conversão significava
entrada ou volta ao seio da Igreja. A teologia moderna repensou este
modelo, entendendo que a vivência dos valores éticos,
independente da recepção dos sacramentos, também
pode salvar. Esta nova visão funda-se no ato pelo qual Deus
cria e chama a todos os seres humanos a uma comunhão de graça
com ele. O Concílio Vaticano II endossou tal posição,
reafirmando o mandato de Jesus de anunciar o evangelho a todas as
gentes.
A Conferência de Aparecida acentuou a relevância da vida
na tarefa missionária. O núcleo principal da evangelização
concentra-se na boa nova da vida de Jesus Cristo para os nossos povos.
Por um lado, trata-se de remover tudo o que impede a vida; por outro,
em contraposição, cabe anunciar a vida, em todos os
níveis e para todos os segmentos. Isso implica dignidade humana,
traz boa nova para as famílias e pessoas, desde crianças
até os idosos, e inclui a preocupação ecológica
de cuidado com o meio-ambiente.
DESAFIOS DEPOIS DE APARECIDA
O aspecto teológico-canônico emperra muitas iniciativas
na questão dos ministérios. Faz-se necessário
fazer tentativas e aparar as arestas equivocadas, começar no
pequeno, sem muitas pretensões, para lentamente avançar.
A vida consagrada é desafiada a retomar o vigor missionário
de outrora, recuperar o amor primeiro. Os cristãos leigos e
leigas, a partir do Vaticano II, são vistos como povo de Deus,
consagrados pelo Espírito, comunicador do mesmo na tríplice
missão: profética, sacerdotal e real. Precisamos crescer,
no entanto, na valorização da presença da mulher
na Igreja, enquanto portadora de carismas e habilitada aos ministérios.
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