ESPECIAL

 

Para um Serviço de Animação Vocacional discipular missionário

Caracterizar este serviço foi uma das propostas do último Encontro Rogate, que aprofundou
o Texto-base do 3º Congresso Vocacional do Brasil

Tendo presente o 3º Congresso Vocacional do Brasil, marcado para setembro deste ano, com o tema: "Discípulos missionários a serviço das vocações", e o lema: "Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações" (cf. Mt 28,19), e o seu objetivo geral, de aprofundar o tema do discípulo missionário, com os objetivos específicos de celebrar a caminhada vocacional, aprofundar a teologia das vocações, consolidar a identidade – tanto do animador vocacional quanto do próprio SAV (Serviço de Animação Vocacional) – e oferecer pistas de ação, os participantes do 26º Encontro Rogate tiveram bastante trabalho. Durante os três dias do encontro, de 31 de outubro a 02 de novembro de 2009, esforçaram-se em buscar os traços de um SAV que fosse discipular missionário. Para isso, aprofundaram o Texto-base do congresso, em suas três partes, o "ver" (resgate histórico vocacional), o "julgar" (iluminação bíblica) e o "agir" (indicações pastorais). A Rogate apresenta uma síntese do resultado das reflexões e indicações.

1. Primeira parte (ver)

Indagados sobre quais seriam os principais elementos do resgate histórico para o SAV, os participantes do encontro refletiram inicialmente em grupos e depois em assembleia, com a ajuda do assessor, Pe. Ângelo Ademir Mezzari, religioso Rogacionista. Dentre os elementos indicados está o cultivo de uma consciência e cultura vocacional, que representou - nestes últimos anos - um avanço na concepção da pastoral vocacional, passando daquela mais voltada ao ministério ordenado para um SAV que contempla todas as outras vocações, um SAV entendido como serviço de evangelização e que leva ao encontro pessoal com Jesus Cristo.

Alguns desafios foram lembrados, como a formação, preparação e capacitação dos animadores vocacionais, buscando um novo vigor e a força para dar continuidade às tarefas, incluindo a renovação da pedagogia de ação, com metodologia coerente e estruturada. Ir às novas praças, aos novos aerópagos (cf. 2º Congresso Vocacional do Brasil, 2005), atingir a juventude, investir na formação do cristão leigo e leiga, numa autêntica catequese permanente, também foram indicações apresentadas pelos participantes.

Eles destacaram, ainda, a importância da sintonia entre a ação pastoral e o testemunho de vida concreta, o mandato missionário, a implantação do SAV nas paróquias e o fortalecimento da oração pelas vocações, com a centralidade na Palavra de Deus.

2. Segunda parte (julgar)

Na segunda parte do Texto-base do congresso, a pergunta esteve direcionada para os principais elementos e dimensões bíblicas sobre o discipulado e a missão. Dentre as respostas, o chamado, a vocação, o processo pedagógico, o envio, a missão, o anúncio. Também neste ponto se observaram desafios, como a necessidade de se aprofundar a identidade missionária da vocação através do imperativo: "Ide"; a continuidade permanente do processo vocacional; a maior aproximação dos vocacionados, como Jesus, que se aproxima dos apóstolos; uma presença maior do SAV na catequese; o nosso profetismo.

Evidenciou-se a importância do ser sobre o fazer, a escuta e meditação da Palavra, o confronto com a mesma e o seu anúncio.

3. Terceira parte (agir)

No segmento da ação, os participantes foram convidados a refletir sobre várias questões práticas. Um dos grupos de estudo analisou a pedagogia, o planejamento e a organização do SAV, respondendo sobre o horizonte ou a perspectiva fundamental e as atitudes que se deverão enfrentar. Quanto às perpectivas, indicou-se a busca de um SAV como promoção e cuidado da vida (dom, presente, graça), aprofundando o déficit da primeira evangelização. Um serviço de ajuda ao vocacionado para descobrir e assumir o projeto de Jesus, tornando-se discípulo missionário. Quanto às atitudes, destacou-se o respeito ao tempo de cada pessoa, à dinâmica própria de cada vocacionado, além da busca de um SAV gratuito, disponível, acolhedor, alegre, paciente, perseverante.

Um outro grupo de estudos analisou aspectos que necessitam ser contemplados no aprofundamento dos elementos teológicos e pastorais referentes às vocações, em suas várias dimensões e implicações. Do ponto de vista eclesiológico, apontou-se a inserção do jovem na comunidade, o engajamento e a participação durante o processo de acompanhamento. No aspecto antropológico, deve-se resgatar a dignidade das relações, com uma visão integral da pessoa humana, imagem e semelhança de Deus. No aspecto Mariológico, um maior aprofundamento da figura da vocacionada Maria, partindo da devoção popular tão profunda, carinho materno em nossa caminhada. Quanto ao Celebrativo/litúrgico, apontou-se a necessidade de uma maior divulgação de materiais diversos, orações, incentivando a criação de grupos e momentos de oração vocacional. E do ponto de vista carismático, observou-se a riqueza de dons, como elementos que auxiliam o discernimento e a identificação carismática.

Um terceiro grupo abordou as próprias experiências e práticas no SAV, indicando os aspectos que são considerados mais importantes e significativos neste momento social e eclesial. A insistência na criação, consolidação e preparação das equipes vocacionais, e o esforço para a elaboração de um planejamento do SAV foram citados. Unido a estes aspectos está o cuidado com a animação vocacional, especialmente nos ambientes onde nascem as vocações, como por exemplo, família e escola. Citou-se, ainda, a importância das parcerias e a colaboração com as pastorais afins. E, por fim, destacou-se a figura de Maria como discípula missionária, animadora vocacional e evangelizadora.

Uma última questão no estudo da terceira parte do Texto-base do congresso foi aprofundada por dois grupos: "A partir da própria experiência e prática no SAV, que outros elementos necessitam ser lembrados e que desafios precisam ser enfrentados?". Com relação aos elementos a serem lembrados, destaque para a missão do animador vocacional, que deve estar animado ao serviço e aberto à cultura vocacional, levando em conta o desânimo interno das congregações, dos institutos, das dioceses, e a falta de consciência vocacional na família. Seu papel é fundamental para ajudar o outro na construção de seu projeto de vida pessoal. Essencial também é considerar o SAV universal, feito com planejamento, metodologia, valorizando a vocação missionária e se empenhando para tal. Valorizou-se a realização de mini-congressos vocacionais, paroquiais e diocesanos.

Com relação aos desafios a serem enfrentados, citou-se o acompanhamento dos casos de homossexualidade, abusos sexuais, desestruturação familiar. Outro desafio é a própria instabilidade dos animadores vocacionais. Recordou-se da migração dos jovens por conta de sua realidade, da pastoral urbana, com os emos, góticos e outras tribos, além de uma catequese que não forma suficientemente para a adesão à fé.

4. Caracterizar um SAV que seja discipular missionário

Após o estudo do Texto-base do 3º Congresso Vocacional do Brasil, os participantes do 26º Encontro Rogate abordaram várias questões relacionadas ao SAV para que seja mais discipular missionário. Primeiramente definiram o conceito. Um SAV discipular missionário:
- é itinerante, aberto a todas as realidades eclesiais, cuja meta é tornar conhecida a pessoa de Jesus Cristo, através de um processo que prevê a experiência do encontro e permanência com ele, a resposta a ser missionário e assumir o projeto de Deus, levando o convite a outras pessoas para percorrer o mesmo caminho;
- vai ao encontro dos vocacionados, transita pelas pastorais e articula as mesmas, disposto a aprender, aberto ao outro. Está em sintonia com a pessoa de Jesus Cristo e proporciona aos vocacionados esta mesma experiência;
- está preocupado com o despertar, acompanhar, cuidar e levar ao compromisso missionário; conscientiza que pelo batismo somos chamados e enviados a sermos discípulos missionários;
- é orante, encarnado na vida e na realidade, proporciona o encontro pessoal e comunitário com o Mestre, lança à missão;
- contribui na pastoral conjunta para uma maior consciência vocacional no todo da Igreja.

Em seguida, definiram quem são os responsáveis:
- todos, começando pelo bispo. Presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, ministros, famílias, catequistas, professores, educadores, enfim, todo batizado;
- particularmente, a equipe paroquial vocacional e representantes de pastorais afins (catequese, liturgia, juventude, família);
- os apaixonados por Jesus Cristo, que sentem o chamado a essa missão e respondem com meios para despertar e acompanhar outros vocacionados.

Depois, estabeleceram as modalidades, instâncias deste SAV discipular missionário, como se realiza:
- tem metodologia para organizar um planejamento que cultive, acompanhe, desperte e auxilie no discernimento vocacional. Utiliza os recursos da mídia;
- é dinâmico, orgânico, visa todas as vocações. Privilegia o relacionamento pessoal, o contato direto, visita as famílias;
- é articulado nos âmbitos nacional, regional, sub-regional, diocesano e de comunidade. Trabalha em parceria com congregações e institutos. Investe na formação dos cristãos leigos e leigas. Está integrado com a catequese;
- é formado por animadores preparados, conscientes, alegres, dinâmicos, criativos, abertos à ação do Espírito Santo.

Onde é realizado (lugares, espaços...):
- em todos os lugares: no Conselho Pastoral Paroquial (CPP); na catequese; nos grupos de adolescentes, coroinhas e jovens; na educação (escola, universidade, pastoral universitária); na Igreja particular, de acordo com a realidade de cada região (diocese); nas comunidades religiosas; nos movimentos; nas famílias; nas semanas missionárias e tríduos vocacionais; nos meios de comunicação social;
- também em lugares onde a juventude se encontra fora do âmbito eclesial e religioso (quadras esportivas, shoppings, shows, lazer etc.).

Quando ocorre (tempo, período...):
- no testemunho diário, em todo momento; é atemporal, pois se é discipular missionário, é sempre chamado e enviado, sempre se renova, não fica estacionado, pede e exige uma metodologia e atualizações;
- constantemente, com maior intensidade em alguns momentos e datas específicas: Dia Mundial de Oração pelas Vocações, Mês Vocacional, ordenações, profissões religiosas etc..

Por fim, os participantes indicaram para que serve este serviço, o porquê:
- despertar as potencialidades, os dons e talentos de cada pessoa convidada e convocada a ser Igreja, a partir do batismo; promover a vida e a sua dignidade;
- despertar, no seio da comunidade cristã, a consciência de que todos são chamados, enviados e acompanhados pelo Pai; auxiliar o vocacionado, no processo de discernimento vocacional, a fazer escolha consciente e responsável;
- criar uma cultura vocacional para a evangelização, respondendo ao mandato de Jesus: "Ide";
- despertar, animar, fortalecer, revitalizar, convocar os jovens e toda a comunidade.