Ouvir com docilidade
A Palavra é o centro de gravidade desta edição. Neste Mês da Bíblia, que nos motiva a refletir sobre nos¬so Livro Sagrado, especialmente a estudar o livro do profeta Ezequiel, sob o alentador tema “Porei em vós o meu espírito e vivereis”, podemos examinar com mais atenção a nossa vocação à escuta da Palavra. E não só como estamos respondendo a essa vocação de “escutadores”, individualmente ou como Igreja, mas sobretudo com quanta docilidade estamos correspondendo a essa escuta. Essa virtude, a da docilidade, emergiu em vários artigos mais ou menos explicitamente, também expressa como abertura, acolhimento, capacidade de escuta que resulta em diálogo, conversão e compromisso (como no encontro entre Jesus e a samaritana em torno do poço, ou do jovem que compreende o problema am¬biental e se transforma), troca, permissão para a ação da graça do Espírito. Ou ainda no limite, como Estevão, dócil a ponto de perdoar seus algozes como Jesus perdoou. Ezequiel ouviu a Palavra, cumpriu a missão de anunciar, denunciar e interpretar para o povo e lideranças, em tempos de provação e dificuldades que ele também viveu na carne, mas perseverou e foi dócil. Pôde semear esperança, por fim. As situações de opressão, exílios forçados, injustiças, escravidão estão por toda parte, “ossos se¬cos” de nossa realidade, o que torna atual a profecia de Ezequiel. Mas é atual também a promessa de que “quando ocorre a união, o fortalecimento e a proteção, cria-se o campo próprio para o agir do Espírito” (pag. 52 do texto-base do Mês da Bíblia 2024). É nessa esperança de renovação que provocamos todos à proveitosa leitura e vivência da Palavra neste mês especial.